Virgem depois dos 30, o mangá documentário do Pipoca e Nanquim

Virgem depois dos 30, o mangá documentário do Pipoca e Nanquim

Virgem depois dos 30 é um mangá-documentário publicado pela editora Pipoca e Nanquim, no qual conhecemos a história de 8 virgens de meia idade.

Virgem depois dos 30, o mangá documentário do Pipoca e Nanquim

Confesso, que não imaginava que existia um “mangá-documentário” e só fiquei conhecendo esse estilo exatamente com esse exemplar. E confesso, também, que o vídeo feito pelo Pipoca e Nanquim foi o que me atraiu a adquirir Virgem depois dos 30.

O mangá é baseado no livro-documentário Virgens de meia idade, da Editora Gentosha e como o próprio nome já diz, aborda o assunto dos homens que passaram dos 30 anos e ainda não tiveram relações sexuais.

Estima-se que, no Japão, para cada 4 homens solteiros acima de 30 anos, 1 ainda não teve relação sexual, ou seja, são mais de 2 milhões de virgens.

Virgem depois dos 30 acompanha a história de 8 homens. Cada capítulo é focado em contar a história de cada um, e no final do capítulo há um apêndice, feito especialmente para esta edição, que explica um pouco mais sobre a situação daquele homem, principalmente, os aspectos da sociedade.

Durante o mangá, acabamos tendo uma visão diferente sobre esses homens, que acabam sendo vítimas de uma sociedade individualista e egocêntrica. Esses homens lidam com seus sentimentos de uma forma diferente, e muitas vezes, exagerada.

O que se pode concluir é que estar nessa condição não é somente por opção ou por culpa da pessoa, é uma somatória de fatores. Alguns se aceitam e seguem em frente, outros fazem com que essa ausência em sua vida, seja considerada uma vergonha e um monstro.

Cada um dos 8 homens representados no mangá, lidam com sua virgindade de maneiras diferentes. Cada uma das história é capaz de mexer com você d de maneiras diferentes, da mesma maneira que eles lidam com a sociedade de uma maneira diferente.

Não posso deixar de citar a história do Ichiro Suzuka, o único que podemos conferir uma foto sua de verdade. A história dele é uma sucessão de problemas externos à sua virgindade, como a maneira que as pessoas lidaram com ele e por fim, a maneira como ele lidou com a sua condição. Foi a história que eu terminei e precisei de um tempo para dirigir o que tinha acabado de ler.

Depois de ler a sua história, li as outras com um pouco mais de empatia. Já que algumas histórias retratadas, mostraram homens virgens de meia idade que causavam grandes problemas e grandes revoltas em nós, expectador.

Uma das coisas que podemos levar após ler este mangá é o modo que tratamos as pessoas que estão ao nosso redor.

O mais interessante desde mangá é que o autor buscou pessoas muito diferentes entre si, que lidam com seu “problema” de formas diferentes, buscando desmitificar o “tipo” de homens virgens de meia idade que as pessoas tendem a imaginar. Alguns apresentam determinados esteriótipos, mas é algo que não se pode generalizar depois dessas histórias.

A única coisa que se pode generalizar é que, de certa forma, a sociedade contribuiu com a formação de suas identidades.

As histórias não são floreadas, a verdade é exposta, juntamente com as imagens que nos fazem ter diversos tipos de reações enquanto lemos e observamos.

Ainda não há uma solução para a condição dessas pessoas. Mas também, qual a causa de suas situações? Quando lemos o mangá já sabemos que a “culpa” não pode ser atribuída à pessoa, mas também à sociedade cada vez mais desumana.

É claro, não podemos discordar de que, quando algo acontece em nossas vidas, ou deixa de acontecer, a culpa pode ser nossa. Mas, algumas dessas vezes, o problema tende a ficar maior ou mais sério por uma série de fatores estranhos à nossa vontade. Nosso pensamento pode acabar sendo moldado de acordo com diversas afirmações que nos atribuem.

E este é o caso de alguns virgens de meia idade retratados neste mangá.

O que o autor buscou ao realizar, primeiramente, o livro documentário, é demonstrar o problema social que são os virgens de meia idade, principalmente, porque ele conviveu com um durante alguns anos de sua vida. E então, veio a sua inspiração.

Ao final do mangá, vemos o autor retratado nas páginas contando um pouco de como chegou a ter essa “ideia” e como começou a desenvolvê-la.

Somente a história seria algo de abrir nossos olhos para uma outra realidade, mas os apêndices adicionais, mostram dados, para aqueles que precisam de provas, de que a situação é de âmbito social e não apenas, pessoal.

Virgem depois dos 30: capítulo 1

Esse é o primeiro mangá lançado pelo Pipoca e Nanquim, mas também é o primeiro produto que eu adquiro da nova editora e não tenho como reclamar da qualidade.

A sobrecapa é a capa que vemos em divulgação e quando a tiramos há uma capa com uma estampa inteira toda em prateado e que faz nos perdemos pelos traços, procurando referências e entender o que está sendo retratado.

Além disso, o volume acompanha um marca páginas com estampa igual a capa e um detalhe que eu amei demais: há um espaço entre a margem da folha e a parte que é costurada, permitindo que você não precise abrir tanto o mangá para ler, o que torna a leitura mais confortável.

Os virgens retratados por Nakamura e Sakuraichi

Atsuhiko Nakamura é um escritor freelancer, que ficou conhecido por trabalhos como “Atriz pornô como profissão” e “Mulheres sem nome”. Passou por um tempo como cuidador de idosos, mas logo voltou a escrever. Na última parte do mangá, temos a oportunidade de conhecer um pouco mais da sua história.

Bargain Sakuraichi é um autor de mangás. Talentoso no estilo comédia erótica, trabalha há algum tempo ilustrando mangás de reportagens e documentários. É conhecido pelos traços realistas (que ele aproveita, e muito, neste mangá).

 

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