sáb. jan 25th, 2020

(SPOILERS) The Witcher (Netflix’ Series) Review

Nesse dia 20 de Dezembro estreou The Witcher, na Netflix, derivado tanto dos jogos quanto das novelas, em 8 episódios de 50 minutos mais ou menos.

Há muito tempo eu não via uma série que realmente dava vontade de maratonar, de assistir tudo de uma só vez, e de assimilar a história de uma maneira tão orgânica.

Antes de continuar no review, acho que tenho que fazer uma crítica a outras críticas que vem correndo por ai: por favor, parem de comparar The Witcher com Game of Thrones.

Quanto se trata de cenários de Fantasia, temos algumas vertentes, entre elas High Fantasy e Low Fantasy (normalmente nos referimos a estes estilos em storytelling, seja em literatura, seja em RPGs, etc., tudo o que englobe “contar histórias”). The Witcher é, claramente, um cenário de High Fantasy, sendo que a mágica é extremamente comum, apesar de poder ser exercida por poucos, o mundo é completamente místico, e situações como a “Lei da Surpresa” são instrumentos narrativos válidos, já que o destino é vinculante e inescapável.

Por outro lado, Game of Thrones, apesar de ter dragões e coisas do tipo, é um cenário de Low Fantasy: magia é bem menos comum, os personagens são muito menos fantásticos, e o perigo não são magos atirando bolas de fogo, mas sim guerras entre humanos, apesar de, sim, haver uma narrativa de “whitewalkers” que usam mais artifícios mágicos, mas que não aparecem literalmente por metade da série.

Então, por favor, não se comparam dois cenários de narrativa completamente diferentes, ainda mais com as manchetes sensacionalistas de “The Witcher ocupa o espaço de Game of Thrones?”. É óbvio que não, pois são obras completamente diferentes, com lógicas completamente diferentes. Não é porque o protagonista usa duas espadas e tem algumas batalhas entre humanos em cenários medievalescos que as coisas são iguais.

The Witcher é um cenário de high fantasy, e não low fantasy, como Game of Thrones.

Resmungos terminados, vamos ao review! E como já está no título, o resumo terá spoilers, então, já estejam avisados: assistam à série inteira, e depois, venham aqui ver o review.

O que mais me chamou a atenção à série não foi necessariamente o conteúdo da história, mas sim como ela é contada.

Para quem conhece um pouco da história de The Witcher (eu conheço realmente pouco, já que vou jogar todos os jogos só agora), sabe que nos dois primeiros jogos não existe a princesa Cirilla, ou Ciri, a qual é introduzida somente em The Witcher 3.

Porém, na série ela aparece logo no início da história, juntamente com Geralt e Yeneffer, que tem uma história tão antiga (ou até mais) que o próprio bruxo.

E isso é o que me fez ficar preso à história: nós temos basicamente três linhas do tempo, a linha de Geralt e Yennefer, no passado, e a linha de Ciri, no futuro.

Com essa divisão de linhas do tempo, foi possível contar a história de diversas novelas e dois dois primeiros jogos, de uma maneira bastante genérica, mas enfim, ainda assim de uma maneira que fizesse sentido, bem como contar a origem de Ciri, e atrelar todos os acontecimentos de um maneira precisa. Cada caçada do bruxeiro teve uma consequência que o levou mais perto de seu destino, assim como cada ação de Ciri e cada ação de Yennefer.

Em termos de storytelling, creio que nunca vi esse tipo de narrativa ser executado de uma maneira tão boa, já que é uma ferramenta que pode ser aplicada de uma maneira errada e acabar entregando um história sonsa ou que entregue todos os pontos logo quando se entende que há mais de uma linha de tempo e que elas vão convergir em algum momento.

Então, tecnicamente, os roteiristas (que são vários) de The Witcher conseguiram um feito gigantesco.

Quanto à história em si, ela é suficientemente interessante pra manter você preso do primeiro ao último episódio. A história não é tão intensa por conta de serem de origens, mas contém drama e ação mais do que suficientes.

Creio que o melhor arco é o de Yennefer, e é o que, dentro de toda a história, faz mais sentido, ainda mais porque ela é uma das personagens mais amadas dos games e com certeza será o destaque da série da Netflix.

Os protagonistas da série: Yennefer (esquerda), Geralt (centro) e Ciri (direita).

No final das contas, The Witcher superou todas as expectativas, entregando uma história completa, muito bem roteirizada e dirigida, com atores que fizeram jus aos papéis (shoutout ao Henry Cavill por ter, realmente, superado todas as expectativas como Geralt), e com uma mecânica de narrativa tão arriscada e que deu tão certo.

Se a segunda temporada for metade do que é esta, eu já ficarei bastante feliz.

A primeira temporada de The Witcher está disponível para assistir através da Netflix!

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