Eu já tinha resenhado Godzilla 1 (Planet of the Monsters) e 2 (City on the Edge of Battle) aqui, mas o que eu queria mesmo era fazer uma resenha dos três filmes juntos, já que é uma série. The Planet Eater (O Devorador de Planetas) fecha a série com chave de diamante.

O que falar da melhor história com Kaijus já contada?

Tecnicamente, não tem muito o que falar sobre Godzilla. Se você gosta de Knights of Sidonia, vai gostar de Godzilla, já que a animação e toda a produção é praticamente idêntica.

O que essa série fez, e muito, muito bem, foi dar um ponto final na saga de Godzilla, mas não pelo ponto de vista dos Kaijus: o ponto de vista, dessa vez, é dos humanos.

Eu disse lá em cima que essa é uma história COM Kaijus, e não SOBRE Kaijus, e isso, pra mim, é o que faz dessa série a melhor história já contada com o Godzilla.

Todos os filmes da série exploram a mesma temática: o homem cria sua própria destruição, através da ganância.

Nesse filme, fechando o arco principal, o tema não é só esse (apesar dele aparecer com frequência durante os filmes), mas sim o que vem depois? Devemos nos tornar monstros para lutar contra um? Ou devemos entregar tudo em que acreditamos e vivemos para ter uma vitória?

Os humanos odeiam o Godzilla, e tem que viver com o peso de ter criado um monstro que praticamente não tem fraquezas. Os Bilosaludos e Exifs tem uma agenda própria, sendo que aqueles querem dominar a terra ficando no lugar do Godzilla, e estes, SPOILER, querem só destruir o planeta mesmo, já que no terceiro filme descobrimos que eles são, na verdade, um culto a Guidorah, que peregrina pelo espaço destruindo planetas.

O que me faz dizer que essa é a melhor história já contada com um Kaiju são os últimos momentos do filme, os últimos 10 minutos:

Godzilla não morre, claro. Guidorah também não morre, só volta para a dimensão dele. Mohtra aparece bem rápido e não tem muita influência, mas também foi legal a participação, mas com tudo isso dito, os humanos simplesmente entendem que não existe um jeito de destruir o Godzilla. Não existe um jeito de ganhar. O máximo que um humano pode fazer é se conformar com aquela existência e se adaptar ao ambiente, da mesma maneira que Godzilla fez nos últimos 20.000 anos.

Além disso, a morte de Haruo foi uma das melhores cenas já feitas em um anime, e resume a série inteira: não é Godzilla quem ganha, e também não são os humanos que perdem. As coisas somente mudam, e Haruo não estava pronto para viver nesse mundo, com os “novos humanos”.

Além de tudo isso, a moral da história, e talvez o verdadeiro arco, é o de como é criada uma divindade, ou como funciona a ideia de uma idolatração: os Bilosaludos confiam cegamente em sua tecnologia e na lógica, e isso é a fé para eles. Os Exifs idolatram Guidorah, e por ter se tornado o ser que destruiu seu mundo, agora cultuam sua força. Os novos humanos (os Houtas) que idolatravam Mohtra, agora fizeram Haruo, o Deus da Ira, seu deus.

Claro que isso foi um pouco forçado para um final, mas foi completamente genial, e amarra muito bem a história. Haruo sempre se pautou pelo ódio, pela ira, pela frieza em usar seu pelotão para cumprir seu plano, e no final das contas tudo isso fez dele uma divindade, alguém a ser seguido, como queria o próprio Metphies.

Apesar do Godzilla ficar em segundo plano em sua própria série, os criadores da trilogia deveriam ser aplaudidos por ter coragem de criar uma série onde a luta entre monstros só acontece no final do último filme, e onde o Kaiju que dá o nome à série quase morre, e um humano ajuda ele a vencer.

É algo absurdo, ainda mais vindo de uma franquia tão grande e tão longa quanto Godzilla, onde o atrativo sempre foi a luta entre dois monstros gigantes que destroem as cidades de papelão.

Eu posso estar muito errado mas, de agora em diante, acho que teremos uma mudança em histórias de mangás e animes, com histórias ainda mais profundas, e ainda mais filosóficas e incríveis, como a da série animada de Godzilla.

Os três filmes estão disponíveis para assistir no Netfix, agora mesmo!

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