Apesar de ser difícil procurar bons animes no Crunchyroll, às vezes você acaba esbarrando em alguma coisa bem sem querer e se apaixona por aquilo. Foi mais ou menos assim que eu conheci Black Bullet, um dos melhores animes que eu já assisti até hoje.

Antes de começar aqui, acho que é bom só deixar bem claro que Black Bullet não é um anime “progressista”, ou seja, ele é recheado de tropes que, na real, as vezes chegam a ser desnecessários e bem pesados. Tem muitos “Oniiiii-san!” em praticamente todos os episódios, e é dai pra baixo.

Isso é meio que de se esperar de um anime em que você tem lolis, monstros gigantes, chefes colegiais com espadas e coisas do tipo.

Caso relevar vários alguns desses tropes mais pesados, a história tem MUITO a oferecer.

A aventura acontece em um mundo pós apocalíptico, onde um vírus se espalhou pelo mundo e começaram a aparecer Gastrea, monstros derivados de animais – que no começo do anime parece serem só insetos, mas depois dá pra ver que vários animais são Gastrea – que matam humanos, aparentemente sem qualquer motivo.

Depois de muitas mortes e de tentativas para frear o avanço dos Gastrea, os humanos encontram um metal chamado Varanium, que repele os monstros. A alternativa foi, então, construir muros gigantescos feitos do metal para manter o restante dos sobreviventes dentro de Tokyo.

Só foi possível construir esses muros por conta de crianças amaldiçoadas, meninas que nasceram com habilidades dos Gastrea, porque o vírus corre no sangue delas, e fatalmente, um dia, fará elas se tornarem um monstro.

E é nesse mundo que se vive o protagonista, Rentaro Satomi, um “promotor”, algo entre um mercenário e um investigador, que é especializado em caçar e matar Gastrea.

Cada promotor é acompanhado de um “iniciador” / initiator, que sempre é uma criança amaldiçoada. No caso de Rentaro, sua initiator é Enju Aihara.

O que é muito fenomenal nesse anime não é nem o mistério de como os Gastrea foram criados, ou como são criados os Zodiacs, que são Gastrea Stage V, com potencial de destruir o mundo. O que conta nesse anime é como o mundo vê as crianças amaldiçoadas e como elas veem o mundo ao redor delas.

Como essas crianças tem o vírus, o ódio da população se vira contra elas, e apesar de serem as salvadoras do restante da humanidade, ainda são excluídas de qualquer círculo social e marginalizadas, quando não mortas a qualquer custo.

<SPOILER> Uma das cenas mais críticas do anime é exatamente a que Rentaro não ajuda uma criança amaldiçoada logo que a vê e a polícia leva ela a um galpão abandonada, onde tentam matá-la. É uma cena incrível que ilustra tudo o que acontece no anime, toda a agonia da Enju quando os colegas da escola dela abandonam a sua amizade e começam a ser hostis quando ficam sabendo que ela é uma criança amaldiçoada, ou logo depois que os próprios cidadãos de Tokyo explodem uma escola para crianças amaldiçoadas, fora da escola, com uma bomba caseira feita especificamente para aumentar os danos, ou seja, com a intenção de matar todo mundo lá. </SPOILER>

Então galera, mesmo com vários tropes bem desconfortáveis de se assistir, esse anime mostra o que é a dor de uma pessoa que não é vista pela sociedade, ou pior ainda, que é odiada pela sociedade, e que mesmo com uma arma todos os dias na cabeça, salva seus carrascos sem pestanejar, e tem que conviver com o fato de ser considerada uma “ferramenta”.

Eu adoro esses animes que são um iceberg: quando você vê pela primeira vez, não é nada, mas quando você investe na história, tem muito mais por trás daquele enredo que parece ser tão simples.

Caso vocês quiserem entender um pouco mais, e com um pouco mais de spoilers sobre esse anime, procurem o youtube alguns vídeos com o título “NUNCA ASSISTA O ANIME BLACK BULLET“. Apesar do título, é um vídeo que destaca muito bem o porque assistir esse anime incrível.

Black Bullet está disponível para assistir no Crunchyroll.

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