sáb. mar 28th, 2020

[Games] The Alchemist Code – primeiras impressões

Eu não sou um mega fã de jogos mobile, mas as vezes aparece uma ou outra coisa que acaba chamando a atenção e que vale a pena perder um tempinho. Foi assim com Clash Royale (em que eu perdi um belo tempo, e quase dinheiro), Final Fantasy Brave Exvius, Star Wars Heroes e agora, The Alchemist Code, desenvolvido e publicado pelo estúdio Gumi, do Japão.

Antes de mais nada, pessoal, esse artigo é um first impressions, então, essa é minha opinião das primeiras horas do jogo, e não retrata uma idéia completa, já que, na minha opinião, só poderia ser feito um review depois de terminado o jogo completo, com os extras (caso existirem). Eu não tenho uma impressão do multiplayer porque ainda não cheguei ao nível 15 para usar a Arena.

Quando eu vi o anúncio do jogo, naqueles posts patrocinados do Instagram (sim, eu vejo esses), eu pensei “OK, mais uma cópia descarada de Final Fantasy no sistema gacha”. E, em parte, eu não estava errado.

The Alchemist Code é um RPG com gráficos tão semelhantes aos jogos da Square-Enix que vai te deixar até triste. Parece realmente um rip-off de Final Fantasy Tactics, dos mais cruéis. MAS (e como tudo tem um “mas”), diferente de outros gachas disponíveis para mobile, esse tem realmente um gameplay muito bom.

Como eu não vou entrar na história (que realmente, não é lá a mais importante, apesar de ser “bacaninha”, e tem até uma HQ com o preludio da história), vamos direto pro gameplay.

O sistema é turn-based com elementos de estratégia, o famoso strategy/tactics-RPG. E essa foi a boa surpresa do jogo.

Strategy/tactics-RPG (SRGP) é um nicho dentro dos próprios jogos de RPG, levando em conta que nem todo mundo é fã desse modelo. Jogos como Arc the Lad, Ogre Tactics, Banner Saga e a “inspiração não oficial” the Alchemist Code, Final Fantasy Tactics, são alguns jogos desse modelo.

Então, o que The Alchemist Code tem de bom?

Considerando que é um dos poucos jogos mobile que fizeram razoavelmente bem o strategy-RPG, da pra perder algum tempo com o modo história, que tem diversas missões e que podem ser feitas uma seguida da outra, apesar de ter o mesmo sistema de “pontos por missão” que Final Fantasy Brave Exvius, mas que não é muito problemático, se você não for hardcore e farmar missões para itens e shards – sim, o sistema de shards também está aqui. Você tem que coletar vários shards para obter personagens.

E como todo gacha, para te deixar salivando por aqueles personagens e por ter um tima decente, eles concedem alguns summons de graça, que, até onde eu vejo, no começo, são um pouco “justos até demais”. Entre os personagens que tirei, consegui dois raros e um super raro (todos com 4 estrelas), então eu acho que a probabilidade de tirar um raro ou super raro é aumentada no começo para instigar o player a tentar mais vezes os summons e, consequentemente, gastar mais dinheiro. Não posso confirmar esse fato, mas é o que parece.

O sistema de estratégia é simples, mas funciona para o mobile, e seria bem fácil de fazer um port para PC ou console com algumas pequenas alterações.

As habilidades são bastante variadas (de personagem para personagem), apesar dos gráficos serem bem genéricos e claramente derivados uns dos outros.

gameplay é bem fluído (usando um Asus Zenfone 3 552KL), apesar dos controles não serem nada complexos – somente point and click

Os gráficos são bem bacanas, pra um SRPG, naquele estilo bem parecido com Final Fantasy Tactics, com personagens desenhados e modelos 3D com baixa resolução.

Cabe aqui um ponto que me deixou com um sorriso no rosto: o jogo é cheio de voice acting e tem cenas de anime logo no começo, então, ponto pra você, Alchemist Code.

A trilha sonora também é bem bacana, com aquele naipe bem JRPG das antigas e que vai agradar aos fãs de Final Fantasy e derivados, com certeza. Eu não achei até agora quem assinou a soundtrack, mas seja lá quem for, fez um trabalho bom, dentro do limite que tinha e da temática, já meio cansada.

E é claro: o que tem de ruim no game?

Bom… o ruim MESMO do game é que é um gacha.

Quem já jogou qualquer RPG mobile sabe que ser um gacha (ou gashapon, aquelas maquininhas japonesas que você coloca alguns Yen e te dá um produto sortido) é a regra, e não a exceção. Final Fantasy Brave Exvius e Star Wars Heroes são, provavelmente, os gachas mais bem sucedidos hoje, e da pra ver o apelo, mas isso, no final, acaba estragando o gameplay.

Por isso que The Alchemist Code é um caso complicado: você tem, lá no fundo, um game muito bom, mas que devido à monetização dele, acaba tirando parte da graça do jogo.

Como todo gacha, é um baita pay to win, ou seja, quanto mais você gasta, mais chances você tem de ganhar. Em um determinado ponto, gastar é tão necessário, que o jogo chega a desanimar, o que acontece com muitos que tem esse sistema de monetização.

Eu realmente acho que o jogo seria muito mais bacana se custasse lá seus R$15,00 e não tivesse esse sistema de “apostas”.

Mas como tudo virou um grande cassino, com suas loot boxes, não é algo fora da realidade. Ruim, péssimo, desprezível, mas não fora da realidade.

Além disso, no single-player existe a opção de “contratar” um personagem. O problema disso é que você pode contratar personagens de níveis altíssimos (até agora, apareceram personagens dos níveis 70+), o que deixa o jogo completamente sem sentido, já que a estratégia se torna irrelevante, já que você pode colocar todos os personagens em um canto e usar só o personagem contratado para atacar e defender, seja lá qual for a classe.

Enquanto o personagem principal da trama consegue 47 de dano…
…o personagem “contratado” consegue 350 de dano.

Mas mesmo assim, essas são “opções”, e claramente não precisam ser tomadas. Se você gosta do jogo, gosta da temática, e se preocupa em ter um gameplay saudável, com uma dificuldade bacana, não é necessário usar isso.

Pelo menos isso é feito na cara de pau, e em um jogo que pode ser totalmente free to play se você tiver essa intenção, diferente de algumas empresas que gostam de lootboxes e fazer de tudo para os players gastarem dinheiro com um jogo de R$250,00… *coff* *coff* EA *coff* * coff*.

No final das contas, The Alchemist Code é um jogo muito bom (para um mobile), com um toque de nostalgia, se você, como eu, passava dias e mais dias debruçado em Arc the Lad e Final Fantasy Tactics tentando descobrir qual a melhor posição pra se defender, quais os melhores jobs a tomar, e quais histórias contaríamos a nossos amigos depois de terminar um arco da história. Se esse jogo vai ser assim ou não, eu ainda preciso jogar MUITO pra ter certeza, mas o começo é bom, muito bom.

Você pode fazer o download do jogo agora, para aparelhos Android e Apple.

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