De todas as HQs que eu queria comprar na CCXP18, “O vazio que nos completa”, escrita por Sergio Chaves e ilustrações de Allan Ledo, era a que eu mais estava ansioso para ler.

Eu não conhecia o Sergio nem o Allan, e não vi ninguém falando sobre HQ, Depois da leitura fui procurar sobre, encontrei algumas pessoas comentando e também vídeos no Youtube. Mas não procurei antes, eu não queria estragar a surpresa da história. 

Conheci a HQ de uma forma aleatória, estava vendo as promoções durante a Black Friday e acabei me deparando com ela.  A premissa me impactou. Mas não só ela, o título e a capa também mexeram comigo. 

“Se sua vida é um sonho, o que acontece se acordar? A vida de Douglas muda completamente quando ele é diagnosticado com esquizofrenia. Atormentado por alucinações, seu mundo volta a fazer sentido quando conhece Letícia, por quem se apaixona. Mas tudo muda quando Guilherme, seu melhor amigo, afirma que ela não passa do fruto de sua imaginação, desencadeando novamente a dúvida sobre o que é real em sua vida.”

O que é real em "O vazio que nos completa"

Será que a HQ conseguiu entregar a história que ela prometeu? É o que você vai saber agora.

O protagonista da história é Douglas, que começa acordando em um hospital após um surto. Nas primeiras páginas da HQ pode parecer um pouco confuso, ela avança e depois volta, você volta as páginas pra ter certeza que leu aquilo mesmo e até confirmar alguns detalhes, mas tudo isso é proposital, justamente para nos colocar nesse mundo do que é ou não real, nos colocar no lugar de Douglas.

Guilherme, melhor amigo de Douglas, sempre está ajudando, cuidando dando dele, e até em certos momentos começa a incomodá-lo, fazendo com que Douglas pense que Guilherme está deixando de se cuidar para cuidar dele.

Dona Irene, vizinha de Douglas, também está sempre próxima para ajudar, o que o incomoda, é claro, fazendo com que nosso personagem a considere  enxerida. Dona Irene sempre conversa com a mãe de Douglas.

E então, Douglas conhece Letícia.  Ela trabalha em uma biblioteca e seu mundo muda, era o que faltava para preencher sua vida, superar seus problemas e seguir em frente.

Porém Guilherme, sempre preocupado, vai atrás de conhecer essa Letícia, saber quem ela é. E então, vai até a biblioteca e em sua investigação descobre que não há nenhuma Letícia trabalhando na biblioteca e conclui que ela não existe. Guilherme tenta avisar Douglas e fica preocupado com sua saúde mental.

A partir desde ponto que se iniciam as surpresas. O que era realidade? Será que o que acontece agora é real?

É uma HQ não se pode falar muito, qualquer detalhe pode estragar a história. A HQ tem um ótimo ritmo de começo meio e fim para te colocar a par de todas as situações. Bom, pelo menos dentro das situações que Douglas nos apresenta aos poucos, fazendo com que possamos conhecer um pouco de sua vida. 

A arte do Allan ajuda na imersão desse mundo. E imerso é como você vai se sentir muitas vezes ao decorrer da história. Fico imaginando se é como Douglas se sentia: sufocado. 

É uma HQ que vai além da história, ela te faz refletir após a leitura, você até precisa ler duas vezes, mas não para entender a história, mas para compreender melhor como tudo aconteceu. Compreender Douglas e sua realidade;

No final dela que as fichas começam a cair, as coisas começam a fazer mais sentido, e a história fica mais intensa. E quando acaba, seu coração já está um pouco murcho e confuso com a realidade, você é surpreendido como uma “cena pós crédito”, que te deixa de boca aberta e te faz repensar tudo aquilo que você leu e concebeu em seus pensamentos. 

Eu acho que daria um ótimo filme.

Logo que finalizei a leitura fiquei pensando em quantas vezes criamos mundos em nossa imaginação, seja em uma espera no médico, no metro, no ônibus, quando deitamos na cama antes de dormir e criamos mundos onde somos heróis, onde podemos estar junto daquela pessoa que sonhamos, onde podemos ser aquilo que não podemos ser, vivendo uma utopia, criamos mundos inteiros que queríamos estar vivendo.

Depois fui ver algumas coisas sobre a obra, e vi um vídeo do Kitinete HQ Quadrinhos em que o Sergio participa e ele fala a seguinte frase sobre a HQ: “Se algo que te faz bem não existe, a gente precisa ficar preso a realidade?”, cai de costas quando ele falou isso, faz todo sentido tanto pela HQ quanto na nossa vida.

Excelente trabalho do Sergio e do Allan, com um ótimo prefácio do Laudo Ferreira, no qual ele comenta sobre realidade e sobre a esquizofrenia.  

É importante comentar que a HQ foi feita após um período de pesquisas sobre a esquizofrenia. Nos permitindo entender, pelo menos um pouco, o que se passa na mente das pessoas com a doença. Contudo, não são só eles que são suscetíveis a viver em realidades paralelas. Cada um de nós buscamos a nossa realidade. 

O que é real para mim, pode não ser real para você. A minha realidade é a minha verdade. 

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Sobre os autores: 
Sérgio Chaves é editor e roteirista de quadrinhos. É formado em Design Gráfico e um dos responsáveis pelo selo Café Espacial, pelo qual conquistou prêmios nacionais e destaque internacional. “O vazio que nos completa” é sua primeira narrativa longa. 

Allan Ledo é desenhista e arte-educador. É formado em Artes Visuais e foi professor de HQs na Gibiteca de Curitiba e ilustrador de publicidade. 

ps: este é um post colaborativo, feito em conjunto por Guilherme Alvarez e Drielly. 

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